08/31/2006
A despedida de Ernesto
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Para corromper o viajante
Para que sempre tenhamos Paris

A foto foi fisgada do Google, nosso santo achador de todas as horas.
Paris e eu (José de Almada Negreiros)
Um dia foi a minha vez de ir a Paris. Foi necessário um passaporte. Pediram a minha profissão. Fiquei atrapalhado. Pensei um pouco para responder verdade e disse verdade: Poeta!
Não aceitaram.
Também pediram o meu estado. Fiquei atrapalhado. Pensei um pouco para responder verdade: Menino!
Também não aceitaram.
E para ter o passaporte tive de dizer o que era necessário para ter o passaporte, isto é uma profissão que houvesse! E um estado que houvesse!
Faça como ele, minta, não diga cineasta, não diga menino, não diga personagem de Chagall, menino de Hopper, menino de Tony Gatlif. Não diga que está amarrado à realidade por uma frágil cordinha, não fale de Paris, não diga dos sonhos. Não conte-lhes dos planos, dos milagres, das coisas que temos em comum. Omita, minta, mas consiga o visto. Enquanto ainda temos Paris.
06:35 Posted in Relicário | Permalink | Comments (0) | Email this
Musical
Já que não vou mais dormir mesmo, são cinco e quarenta e cinco, me preparo uma xícara de café enorme e bem forte. Mil pensamentos na cachola ao som de um das pérolas da história da música brega espanhola. Manolo Otero, no palco, todo de bege, fumando -- com um cigarro no palco, exatamente como me lembro dele: lindo, alto, elegante e canastrão. Eu não lembrava que ele tinha aquele nariz de papagaio. O perfil é assustadoramente surpreendente. O clipe é de 1979. A letra da canção é algo. Adoro. Adoro também a cena em que ele dá uma pitada no cigarro, joga o dito cujo no palco, e pisa na bituca para apagá-la. Que classe. Antes disso, dá até para ver a fumacinha do cigarro. Que clipe, e o coro é fenomenal.

Manolo Otero marcou nossas noites no apartamento na Zeferino Dias. Tantas cenas me voltam. A final do mundial em Tóquio, as noites de chimarrão, as pequenas reuniões em família, eu gravando bobagens no 3 em 1 da família, meu pai fazendo coletâneas em fitas cassete da Sanyo (eu amava o logo da Sanyo), minha mãe fazendo broas no inverno, a Savana dormindo conosco. Meu primeiro poema. Os verões insuportavelmente quentes de fevereiro, as janelas que deixavam um ar fresco entrar nas noites de primavera. E música, muita música. José Feliciano foi descoberto por mim na mesma época. Quem precisa de Roberto Carlos, em uma casa que tem esses dois monstros sagrados da música romântica internacional? Ah...esqueci, tinha Leonardo Fávio também.
Manolo Otero e nostalgias à parte, o show do José Luis Perales, que também fez parte da minha formação musical nos idos dos anos 80, fará show em Ft. Lauderdale, pela bagatela de $231.00 – sim, dólares – por cabeça. Perdi minha grande chance.
Esses músicos, merecem um post só para eles sobre a arte dramática envolvida em interpretar suas canções. Adoro esse ar meio Pimpinela, meio banda Vexame: à sério. Eles foram os precursores.
O livro que eu estava lendo sobre como escrever dizia que primeiro o escritor precisa pensar em sua audiência, ter um tema claro e definido, não confundir o leitor, e mais algumas coisas que eu ignoro, solenemente. A prova é o meu blog. E este post, que acabou virando um saco de cachorros.
Mas voltando para o modus musical, Sara Montiel cantando Quizas, Quizas, com o olhar mais lânguido que eu já vi, no You Tube, vale à noite em claro. Cômico ao extremo. Tá, talvez não o mais, mas um dos mais lânguidos. A interpretação de Perfídia também está impagável.
Em La Mitad ela aparece loira, mas eu acho que as morenas têm mais borogodó. O legal dos clipes dela é que parecem filmes dos anos sessenta. Um barato.
06:20 Posted in Memória, Music | Permalink | Comments (0) | Email this
Insone
Eu lhe prometi tantos posts. Ele me pediu tão pouco. Me entregou seu coracão esta noite. E eu não consegui dormir, brincando com ele, abraçando-o. Sorrindo ao tê-lo.
Janine por dentro esta llena de puertas Unas cerradas, otras abiertas Janine por dentro esta llena de puertas a veces sales y a veces entras Janine es del viento y a veces se entrega y pierde cosas, pero otras quedan
Voltei para a máquina de escrever para ver se me resgato. A chuva faz barulho na rua. O ar condicionado repete seu tique-taque enfermo. O travesseiro é quente, mas faz frio. As sombras da janela me assustam.
Hay en tu ojos tanta ansiedad y tienes años para jugar. Por no encontrar la luna en cielo de Marrakech navegaste mil mares sin espuma, creyendo que la suerte consistía en escoger dejaste atrás lo sueños y las dunas.
Entro na sala, pé ante pé para não acordá-lo, esperando que ele também esteja sofrendo de insônia ou que esteja já desperto, às 3:45 da manhã, lendo o jornal. Sentindo falta de seu coração. Talvez tenha sentido saudade de mim. Talvez meu pensamento tenha o evocado e o despertado.
En la calle donde todo se vende y se daun chico de uniforme te dijo "salam", adoró esa boquita de jazmín en flor:pero no quiero esos, deseo que tus labios me coman entero, mi amor.
É assim que o silêncio ganha medidas, encorpa a noite. Reabro um livro de Érico Veríssimo e me revejo com doze anos, em Porto Alegre. Insone, infantil, sonhando ser Clarissa, acordada para fazer de conta alguma lucidez. No meio da noite me dizem, volta para cama, volta. E eu não quero. O sono é inócuo. Quero sonhar com o imaginado, acordada, para sentir alguma coisa verdadeira. Mesmo que me doa o corpo, mesmo que seja tarde.
Y es curioso que aún sueñes con desenredar la maraña del tiempo y echarlo hacia atrás que tal vez queda algo aún por estrenar unos brazos que te alcen del suelo y una voz que te salve de la tempestad. Unos brazos que te alcen del suelo y una voz que te salve de la tempestad.
As canções, em itálico e negrito, são de Ismael Serrano e Pedro Guerra. Bulinei com a letra da primeira canção que chama-se Daniela.
04:05 Posted in Navegação de Cabotagem | Permalink | Comments (0) | Email this
08/30/2006
Tocar
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08/28/2006
Ao Menino

Boy and Moon by Hopper
Eu queria que você viesse
Carlinhos Brown e Marisa Monte
Eu queria que você viesse
Penso tanto que quase acontece
Porém se eu decidir não me enganar assim
Talvez o meu pranto tenha fim
Se você ouvisse minha prece
Não quisesse me ver tão aflita
Sonhar não custa nada eu quero tanto ainda
Grato te daria uma saliva
Junto com você a vida inteira
Nosso 3x4 na carteira
Vendo a lua a meia luz e meia
Rogo que me faça uma visita
Eu sonho tanto
Porque tanto te amo assim
Meu sonho é santo
Porque traz você pra mim
Onde caminhando se passou
Sigo a minha estrada sigo o amor
Justo com você a vida inteira
Na sala, no quarto, na cadeira
Hopper te trouxe a mim. Eu vi o menino muito antes de imaginar o sonho. Me deixa feliz ser tua dessas formas inventadas, secretas, sentidas pelo olhar. Quero te embalar em mim. Sob o luar, sob o sonho. Noites inteiras. Num hoje sempre.
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08/27/2006
Salvatore Principe

01:05 Posted in Relicário | Permalink | Comments (0) | Email this
08/25/2006
Very Nice
Summer Samba (So Nice)
Someone to hold me tight
That would be very nice
Someone to love me right
That would be very nice
Someone to understand
Each little dream in me
Someone to take my hand
And be a team with me
So nice, life would be so nice
If one day I'd find
Someone who would take my hand
And samba through life with me
Someone to cling to me
Stay with me right or wrong
Someone to sing to me
Some little samba song
Someone to take my heart
And give his heart to me
Someone who's ready to
Give love a start with me
Oh yeah, that would be so nice
I could see you and me, that would be nice
Someone to hold me tight
That would be very nice
Someone to love me right
That would be very nice
Someone to understand
Each little dream in me
Someone to take my hand
To be a team with me
So nice, life would be so nice
If one day I'd find
Someone who would take my hand
And samba through life with me
Someone to cling to me
Stay with me right or wrong
Someone to sing to me
Some little samba song
Someone to take my heart
And give his heart to me
Someone who's ready to
Give love a start with me
Oh yes, that would be so nice
Shouldn't we, you and me?
I can see it will be nice...
Calor na rua, frio nas maos. Som na vitrola e o carioquinha como companhia.
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08/24/2006
Presente
13:37 Posted in Relicário | Permalink | Comments (0) | Email this
inevitável
Eu sabia que esse dia chegaria. Blogspirit me dizendo que tenho pouco espaco livre. Dizer ele não disse que esse fulano é quietinho pacas, mas mandou mensagem. Pena que ele não pode ouvir o que eu disse para ele.
O Google é mesmo bastante enganador, embora seja muito útil para muitas tarefas de busca. Numa busca de imagens encontro uma tela fabulosa do pintor simbolista Giovanni Segantini, mas que, para meu desencanto, não é dele. Rá. O Google lista, na relação de imagens a bendita como sendo dele, mas pelo estilo reconheço que não, não é o caso. Infelizmente. Era justamente a tela que eu usaria para ilustrar um post sobre um tema mais que recorrente neste folhetim eletrônico, que em breve deixará de existir.
Eu acho que no blog novo vou escrever sobre os absurdos que acontecem com uma bibliotecária em Happyland. Sim, pois declaração de amor do nada (de um usuário que mal conheço e sobre o qual evitarei entrar em detalhes), me dizerem que sou beeeem parecida com a Frida Khalo, duas propostas para virar “modelo” da Mary Kay, eu vou/tenho que fazer humor e assumir o absurdo, como muito bem disse o Sr. do Café, Mr. Caffeine.
Tenho um baita postal aqui na mesa, à espera. Lindo de observar. Dá vontade de ficar com ele para mim, criando um universo imaginado sobre o possível destinatário e os nossos sonhos. Sim, eu disse nossos.
Volta e meia o pessoal recebe doações, e em certas ocasiões muitos livros novos escapam de ser reciclados (leia-se, ir para o lixo) por esta que vos fala. Numa dessas, encontrei um livro sobre escrever. Pretendia escrever um post só sobre o livro e o efeito dele em mim. Me lembrou muito uma palestra sobre Clarice Lispector que assisti em Porto Alegre ano passado. Vale lembrar que arrastei meu irmão para ir e o arrastei para sair de lá. Daí fomos até para uma padaria que eu frequentava com minha mãe quando pequena. Foi a memória dentro da memória. Nunca mais encontrei uns pães como os que eles fazem lá. E nunca mais irei àquela padaria com a Dona Lola. Sobre o livro, eu conto mais tarde.
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