09/05/2006

Os amarelos de amor

A primeira prometida interpretação de The Morning Sun de Hopper  medium_morningsun.2.jpg

Nunca pensara como seria amanhecer depois de um encontro fortuito. Nunca se imaginara nas mãos de um estranho, como na noite anterior, sentindo o gosto de cigarro, ouvindo jazz por acaso, bebendo licor de menta, cantarolando pedaços de melodias incertas. Nunca imaginara como seria o amarelo tardio de uma manhã em que fora deixada. Estava em seus olhos de vazio negro que havia sido deixada. Ele saíra, pé ante pé, ela não lembrava quando, tinha já o peso na cabeça a rondar-lhe todo o corpo. E a saída dele nada mais era que o corte para um dia entre prédios e cimentos e andares confiscados pelos dias que escorrem sem novidade, sem imaginação. Não o veria de novo, tanto fazia, dava de ombros. E se ele ligasse? E se ele? E se ele estivesse lá embaixo, ou na sala, silente, esperando que ela saísse da cama, deixasse de olhar a luz amarela de amor, e os prédios de cinza e de janelas que se arrastam entre barulhos de carros e de esquinas movimentadas? Ela deixou-se ver o sol amanhecer em sua cama, em seu quarto. Esperando por ele, o amor amarelo.

Comments

Sem problemas! Eu é quem agradeço.
Gosto desse quadro.
Beijo

Posted by: Gabriel | 09/05/2006

parabéns pelo Blog interessante que tem aqui. tenho que ganhar algum tempo para o aprofundar. gostei da interpretação... a primeira? beijos

Posted by: sargento | 09/07/2006

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