06/22/2006

Violar

Existem eventos que violam as explicacoes plausiveis, que nos entregam mais perguntas, mas buscas. Nao sei o que fazer com este amor imenso, recebido, sentido. Um amor pelas coisas mesmas, pelas coisas diferentes. Vou fechar a janela, ja volto. Sao apenas vagas as ideias e desencantos apressados. Contidos os sorrisos, amor. Nao chores mais que nao adianta. O passado esta submerso, as feridas, com o tempo, dizem cicatrizam.

06/15/2006

Amantes por mim

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Em cinza: O silencio so nao e inimigo quando
o olhar alcanca.

 

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Em rosa: Bordei com palavras um beijo.
A cor me liberta.
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Em verde: Mergulho em ti para melhor te ver.
Mescla de varios tons de amor.
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Em azul: Nem sempre sao os dialogos
que aproximam. Difusao.
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Me diz o que tenho que fazer. Fala mais alto. Te aproxima do meu ouvido que quero sentir as palavras. E o calor emanado de tua voz (Sera) que agora estamos celebrando, em cima de uma nuvem, como propuseste onirico, eu com um vestido esvoacante e tu com teu tuxedo, dancando Cheek to Cheek, rindo, pedindo mais tempo para escrever cartas, entrelacando sonho e memoria, vertendo cores, luas,  sonhando sons, rodopiando no ceu atemporal Um do Outro (?)

05/06/2006

Lápis de Cor

 

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Para um menino lápis de cor com pássaros na cabeça*

 

Não há mais novidade em te dizer isso. Afinal, te propus que fotografes borboletas, te disse dos pássaros, já te chamei de lápis de cor. Não é fácil estar longe quando dentro tem-se borboletas que esperam por cores, por movimento, pela abertura da gaiola. Mas há um rompimento entre o que carrega-se dentro e o lado de fora. É abrupto de distância, um sulco na alma. Soluço temperado de impossibilidades. Magritte coloca no canvas a imagem que faço de ti, o colorido que trazes para mim. O amarelo que outrora fora incerto e desdenhado, agora resplandece água, suporta o vermelho das flores. Faz o lápis tocar o papel e ritualizar os segundos. Miragem.

Ainda assim quero te mostrar a fotografia do viés de antes: imagens ocas e em preto e branco. Grafite espesso moldando tudo em mim. Mosaicos em forma de asas, pássaros, borboletas. Uma espécie de jardim secreto. Vieste lápis policromático, multifacetado. Não sei como me chegaste, por quais descaminhos. E nem sei a hora da partida. Mas te narro esse estreito laço que nos une com cores, novos tons. Vou continuar desenhando dentro de mim, vou variar as formas, as asperezas. Vou varar noites procurando. E etérea flutuar nos dias de mares amarelos, de marés constantes, de cheias e memórias que revelam céus e ocasos lápis de cor.

Imagem: Rene Magritte fisgado do Google. Título: The Good Omens, 1944.

* Alusivo à canção Pajaros en La Cabeza de Ismael Serrano.

05/02/2006

Depois

Depois da aula. Depois do almoço. Depois do filme. Depois do hoje. Depois da festa. Depois de mim. Depois do outro. Depois de agora. Depois das flores. Depois do beijo. Depois do toque. Depois das moças. Depois das vezes. Depois do pensamento. Depois do cansaço. Depois do alívio. Depois do ventre. Depois do vinho. Depois de antes. Para sempre é sempre um depois que não existe.

04/22/2006

Revisitando Piet(er)

medium_graytree.2.jpgEu exploro o cinza e a forma. Eu vejo árvores cinzas, eu vejo desenhos no teto, eu vejo elos. Eu revisito Mondrian em tua ausência. Eu recorro Portugal, para encontrar quem sabe, rabiscos, vinhedos, exatidão. Eu saltito na linha fina e uniforme deixada pelo pincel. E nos mosaicos cinzas eu procuro. E vejo que no transcorrer das horas há mais. (Tu te lembras como ela caminhava no Arsenic and Old Lace?) Ela flutuava. Como agora flutua ao meu lado a árvore cinza de Mondrian. Estou de prontidão: o cinza não faz parte do ocaso. Talvez por ser denso, por ser a cor que nos lembra a chuva. Por ter o perfume do nada. Eu também brinco. Brinco com Piet, brinco com o inesperado. Brinco ao ver em Mondrian um pouco de ti. Imagem: Gray Tree (1911), de Piet Mondrian.

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