09/07/2006

A Marítima

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A Marítima de Fernanda Fonseca
Um presente e um convite:
podcast

09/05/2006

Os amarelos de amor

A primeira prometida interpretação de The Morning Sun de Hopper  medium_morningsun.2.jpg

Nunca pensara como seria amanhecer depois de um encontro fortuito. Nunca se imaginara nas mãos de um estranho, como na noite anterior, sentindo o gosto de cigarro, ouvindo jazz por acaso, bebendo licor de menta, cantarolando pedaços de melodias incertas. Nunca imaginara como seria o amarelo tardio de uma manhã em que fora deixada. Estava em seus olhos de vazio negro que havia sido deixada. Ele saíra, pé ante pé, ela não lembrava quando, tinha já o peso na cabeça a rondar-lhe todo o corpo. E a saída dele nada mais era que o corte para um dia entre prédios e cimentos e andares confiscados pelos dias que escorrem sem novidade, sem imaginação. Não o veria de novo, tanto fazia, dava de ombros. E se ele ligasse? E se ele? E se ele estivesse lá embaixo, ou na sala, silente, esperando que ela saísse da cama, deixasse de olhar a luz amarela de amor, e os prédios de cinza e de janelas que se arrastam entre barulhos de carros e de esquinas movimentadas? Ela deixou-se ver o sol amanhecer em sua cama, em seu quarto. Esperando por ele, o amor amarelo.

08/31/2006

Insone

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Imagem de Hopper

Eu lhe prometi tantos posts. Ele me pediu tão pouco. Me entregou seu coracão esta noite. E eu não consegui dormir, brincando com ele, abraçando-o. Sorrindo ao tê-lo.

Janine por dentro esta llena de puertas Unas cerradas, otras abiertas Janine por dentro esta llena de puertas a veces sales y a veces entras Janine es del viento y a veces se entrega y pierde cosas, pero otras quedan

Voltei para a máquina de escrever para ver se me resgato. A chuva faz barulho na rua. O ar condicionado repete seu tique-taque enfermo. O travesseiro é quente, mas faz frio. As sombras da janela me assustam.

Hay en tu ojos tanta ansiedad y tienes años para jugar. Por no encontrar la luna en cielo de Marrakech navegaste mil mares sin espuma, creyendo que la suerte consistía en escoger dejaste atrás lo sueños y las dunas.

Entro na sala, pé ante pé para não acordá-lo, esperando que ele também esteja sofrendo de insônia ou que esteja já desperto, às 3:45 da manhã, lendo o jornal. Sentindo falta de seu coração. Talvez tenha sentido saudade de mim. Talvez meu pensamento tenha o evocado e o despertado.

En la calle donde todo se vende y se daun chico de uniforme te dijo "salam", adoró esa boquita de jazmín en flor:pero no quiero esos, deseo que tus labios me coman entero, mi amor.

É assim que o silêncio ganha medidas, encorpa a noite. Reabro um livro de Érico Veríssimo e me revejo com doze anos, em Porto Alegre. Insone, infantil, sonhando ser Clarissa, acordada para fazer de conta alguma lucidez. No meio da noite me dizem, volta para cama, volta. E eu não quero. O sono é inócuo. Quero sonhar com o imaginado, acordada, para sentir alguma coisa verdadeira. Mesmo que me doa o corpo, mesmo que seja tarde.

Y es curioso que aún sueñes con desenredar la maraña del tiempo y echarlo hacia atrás que tal vez queda algo aún por estrenar unos brazos que te alcen del suelo y una voz que te salve de la tempestad. Unos brazos que te alcen del suelo y una voz que te salve de la tempestad.

As canções, em itálico e negrito, são de Ismael Serrano e Pedro Guerra. Bulinei com a letra da primeira canção que chama-se Daniela.

08/11/2006

What we are told, what we tell

medium_mardeternura.jpg“In the town they tell the story of the great pearl – how it was found and how it was lost again. They tell of Kino, the fisherman, and of his wife, Juana, and of the baby, Coyotito. And because the story has been told so often, it has taken root in every man’s mind. And, as with all retold tales that are in people’s hearts, there are only good and bad things and black and white things and good and evil things and no in-between anywhere. (sic)
“If this story is a parable, perhaps everyone takes his own meaning from it and reads his own life into it. In any case, they say in the town that…”

In: The Pearl by John Steinbeck.

Imagem: Lola Alvarez Bravo -- Mar de Ternura.

08/05/2006

Outras

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Me salvei de ti por ter estado outra todas as vezes que me conheceste. A primeira que conheceste era timida, vaga, indecisa. Depois os anos foram me dando forma. E passaram por mim muitas pessoas. E os transeuntes sempre deixam algo. Eles nunca se esgotam quando se vao.

Quando nos encontramos pela segunda vez, por insistencia minha, tu ainda eras o mesmo. E eu te cobicava por nao saber o quao fragil era o vidro pelo qual andavas. Me conheceste refeita, mas ainda docil e iludida de ti.

Uma vez ligaste para dizer que nao poderias, que o barco havia de partir sem ti. E eu fui outras e novamente, me refiz. Sim, existe em mim o estoicismo escrito pelo simples soar de teu nome. Balbuciei tua morte, metafora de um renascimento, mas ainda havia em mim espelhos que faiscavam muito do teu andar seguro e matreiro.

Depois me conheceste quando eu ja havia me tornado uma mulher muito. Nos apresentamos novamente num restaurante, me sorriste. Me notaste diferente. Mas ainda me trataste como se eu fosse a mesma. Foi preciso ver que teu olhar e raso, que me mediu pelas medidas do tempo ido (e o tempo nao serve para me medir), pelos anos que passaram na solidao de tua espera. E era quando nao vinhas que eu me transformei em tantas outras, numa so, sem amargura, mas pronta para te tirar da lista.

Te conheci pela ultima vez e voltei para casa alardeando que seria a ultima vez que te acolheria. Te tirei do meu corpo novo em folha que bramia de frio. De tirei dos meus olhos, da minha boca, despalpitei o amor que disseste sentir. Morreste para mim.

 

A mulher ainda anda por ai e de vez em quando lembra levemente como era. E se esquece da loucura de ter conhecido o mesmo homem tantas vezes.

Ela mesma queria mata-lo. Os outros ja o viam longe e fantasma, mas ela teve que mostrar-se para ele, em muitas identidades, para descobrir que era em vao. Ao nao saber quem es, te expulsei de mim. Ao saber quem eu sou, tu ficaste para tras.

Imagem: Klimt - Death and Life

07/21/2006

Deixar de ser

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 Serpents I
Klimt

Agora eu deslizo. Não caminho mais como antes. Flutuo, dentro d’água procurando por conchas que escondem e guardam de mim um gosto marinho. confuso por me lembrarem de ti. Faz anos já que não sei. Que brotam de meus lábios murmúrios de amor esquecido. De uma morte sedenta para refazer-se outra coisa mais viva, mais.

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Water Serpents II
Klimt
Nos perdemos. Rabiscamos no mapa, vertemos sangue e ouro, pelas fronteiras de um lugar que desconhecemos ainda. Fomos golfo. Nos faltou ar. Nos faltou tanta coisa. Desfazemos as malas. E eu deixei sempre algo pronto para quando chegasse a hora de partir. Fui atropelada. Eu mesma abri a porta para ser assaltada. Vou indo.
Ciao.

07/20/2006

Miudezas

Amo

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dentre todas as possibilidades esta e a unica que modifica a ruina dos dias.

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verbo unico que me edifica mulher. E o oposto de uma aresta, da aridez que tira, e nao a fotografias instantaneas, e Santiago percorrendo mundo.

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amo e as imagens diluem-se em mim, caleidoscopio vivo, fertil, carmin. flertando com beijos. redesenhando o sabor do mar.

07/19/2006

Andança

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Imagem: The Triumph of Music de Chagall

 

Andança 

Elis Regina

Vi tanta areia, andei
Na lua cheia eu sei
Uma saudade imensa
Vagando em verso eu vim
Vestido de cetim
Na mão direira rosas, vou levar

Olha a lua mansa ao se derramar
Ao luar descansa meu caminhar
Meu olhar em festa se fez feliz
Lembrando a seresta que um dia fiz
(Por onde for quero ser teu par)

Já me fiz a guerra por não saber
Que a terra encerra o meu bem querer
E jamais termina meu caminhar
Só o amor me ensina onde vou chegar
(Por onde for quero ser seu par)

Rodei de roda andei
Dança da moda eu sei
Cansei de ser sozinha
Verso encantado usei
Meu namorado é rei
Nas lendas do caminho onde andei

No passo da estrada só faço andar
Tenho a minha amada a me acompanhar
Vim de longe léguas cantando eu vim
Vou não faça tréguas sou mesmo assim
(por onde for quero ser seu par)

me leva amor
amor
me leva amor
por onde for quero ser seu par

07/14/2006

De ventos e chuvas

medium_mondrian_mill_sunlight.jpg Há tanto por ser escrito, mas há tanto que quero dizer-lhe, mas Há tanto ruído, tanta entropia, mas Me entrego para ti Para que um vento bom me tome, me conduza,  És estranho, forasteiro, mas Mas eu tenho tanto aqui Em desordem, girando Afrontando o tempo Me quero tua (Imagem: Mill in Sunlight, de Pieter Mondriaan, 1908)

07/11/2006

Océan por Thierry Cham

medium_stcatarinanuvem1.jpgTout au fond des océans
J'irais chercher ton reflet
J'arrêterai même le temps
Que tu sois prés de moi tout le temps
Dévier les chutes du Niagara
Pour te prouver mon amour
Traverser le Sahara
Pour toi je ferais tout ca

J'invoquerai tous les vents
Pour te souffler mes sentiments
Défierai tous le géants
Te prouver comme je suis grand
Ce petit bonhomme que je suis
N'a qu'une idée, une seule envie
Vouloir t'aimer pour la vie

Hypnotise par ta voix
Par ton odeur et ton aura
Je ferais tout ce qu'il y aura
Pour te sentir près de moi
Ce court instant que l'on vit
Ce simple passage qu'est la vie
Je veux t'aimer aujourd'hui


Envahi par une telle obsession
Je me sens ivre de toi baby
Et je ne sais pour quelle raison
Je suis tombe fou de toi

Tiens voila mon cœur
C'est tout ce que j'ai de meilleur
Donne moi ton corps
Que l'on vive des moments forts.

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